Hérnia Cervical em Três Níveis (C4–C5, C5–C6 e C6–C7)

Caso de Estudo Hernia Cervical 3 Niveis

Introdução

As hérnias discais cervicais resultam, na maioria dos casos, de um processo degenerativo progressivo da coluna. O desgaste dos discos intervertebrais, frequentemente associado a artrose, pode levar à perda da curvatura normal do pescoço e ao aparecimento de hérnias em vários níveis, com impacto significativo na dor, mobilidade e função neurológica.

Este caso clínico descreve uma hérnia cervical em três níveis (C4–C5, C5–C6 e C6–C7), tratada cirurgicamente através da colocação de três cages cervicais fixas com parafusos, uma abordagem indicada quando existe degeneração avançada e risco elevado de progressão da doença.

 

Sintomas e Diagnóstico

O paciente apresentava um quadro de dor cervical persistente, associado a alterações degenerativas progressivas da coluna cervical. A avaliação imagiológica revelou desgaste importante dos discos intervertebrais, presença de hérnias discais e inversão da curvatura cervical, um sinal frequente de sobrecarga mecânica crónica.

Foram identificadas alterações relevantes em três níveis consecutivos da coluna cervical. Nos níveis C5–C6 e C6–C7 existiam hérnias discais bem definidas. O nível C4–C5, embora ainda não apresentasse uma hérnia totalmente formada, mostrava sinais claros de degeneração avançada, com elevado risco de progressão se não fosse tratado.

Perante este cenário, a abordagem limitada a apenas um ou dois níveis implicaria um risco significativo de agravamento futuro dos segmentos adjacentes.

 

Tratamento Realizado

Tendo em conta a extensão da patologia e o padrão degenerativo identificado, foi indicada cirurgia para tratamento simultâneo dos três níveis cervicais (C4–C5, C5–C6 e C6–C7).

A intervenção consistiu na colocação de três cages cervicais fixas, estabilizadas com parafusos, com o objetivo de:

     

      • Remover as hérnias discais existentes

      • Libertar as estruturas nervosas comprimidas

      • Garantir estabilidade da coluna cervical

      • Minimizar o risco de deslocamento das próteses

    Esta abordagem permitiu tratar de forma global a patologia existente e reduzir a probabilidade de necessidade de novas cirurgias no futuro.

     

    Resultado e Recuperação

    O pós-operatório decorreu de forma favorável, sem complicações relevantes. A estabilização dos três níveis criou as condições necessárias para uma recuperação progressiva, com melhoria estrutural da coluna cervical e controlo dos sintomas.

    A decisão de intervir simultaneamente nos três níveis teve como objetivo não apenas aliviar o quadro clínico existente, mas também prevenir a progressão da doença degenerativa já instalada.

     

    Imagem do Caso Clínico

    Imagem 1 – Hérnia cervical em três níveis (pós-operatório)

    Radiografia da coluna cervical em incidência ântero-posterior e lateral, mostrando a colocação de três cages cervicais fixas com parafusos nos níveis C4–C5, C5–C6 e C6–C7, assegurando a estabilização da coluna após a intervenção cirúrgica.

     

    Conclusão

    Este caso clínico demonstra como a patologia degenerativa da coluna cervical pode evoluir para uma hérnia em vários níveis, com impacto significativo na dor, mobilidade e função neurológica. Um diagnóstico rigoroso e uma abordagem cirúrgica adequada, realizada no momento certo, podem fazer toda a diferença no controlo dos sintomas e na estabilidade a longo prazo.

    O acompanhamento próximo, a comunicação clara e a decisão clínica fundamentada foram determinantes para o desfecho deste caso. Se apresenta dor cervical persistente, dor irradiada para os braços ou alterações neurológicas, a avaliação precoce é essencial.

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    Para quem pretende compreender melhor esta condição, está também disponível o artigo explicativo no site “Hérnia Cervical em Três Níveis: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento”, onde são abordados os sintomas, o diagnóstico e as opções de tratamento de forma clara e acessível.

    Sobre

    Médico especialista no diagnóstico e terapêutica dos distúrbios de cabeça, pescoço e costas. Nos últimos anos, tenho procurado cultivar a relação médico-paciente, de forma a proporcionar um melhor acompanhamento na recuperação da qualidade de vida dos meus pacientes.

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